São José dos Campos acorda com o trânsito. Polo industrial e aeroespacial do Vale do Paraíba, a cidade concentra mais de 730 mil habitantes, o maior parque tecnológico do país, a sede da Embraer e o cruzamento de duas das rodovias mais movimentadas do Brasil — a Presidente Dutra e a Carvalho Pinto. O resultado é uma malha viária sob pressão constante, especialmente nos corredores que conectam os grandes empregadores às zonas residenciais nos horários de entrada e saída dos turnos industriais.
Agora, pela primeira vez, a Prefeitura de São José dos Campos tem um retrato quantitativo e atualizado diariamente do que acontece nessa malha. É o que entrega o Smart Mobi, a vertical de mobilidade urbana inteligente da Plataforma CITEHUB — desenvolvida pela SMARTCITYTEC em parceria com o município —, que integra o programa Waze for Cities diretamente ao sistema de gestão da cidade.
174 irregularidades por hora. Todo dia.
O número impressiona quem o vê pela primeira vez. Em São José dos Campos, o sistema registra em média 174 irregularidades de tráfego por hora ao longo da semana — quase o dobro do volume observado em outras cidades médias parceiras da plataforma. São ocorrências detectadas automaticamente pelo Waze: trechos com velocidade muito abaixo da normal, congestionamentos que se formam antes de virar engarrafamento, anomalias no fluxo que os motoristas percebem mas raramente conseguem reportar com precisão.
Somados aos alertas manuais dos próprios usuários — 1.412 por semana, entre acidentes, obstáculos, obras e interdições — esses dados formam o maior banco de histórico de mobilidade que a cidade já teve. Um banco que cresce a cada dois minutos, no ritmo em que o agente Waze da plataforma coleta o feed do programa e o persiste no banco histórico municipal.
O Waze for Cities não é o aplicativo de navegação que o motorista usa no celular. É uma camada de dados que o Google disponibiliza exclusivamente para governos parceiros, com informações em tempo real sobre toda a atividade de tráfego registrada pelos usuários do app naquele município. Em São José dos Campos, onde a penetração do Waze é naturalmente alta por conta do perfil socioeconômico e da mobilidade pendular intensa, esse fluxo de dados é especialmente rico.
O índice que hierarquiza o problema
Ter dados é diferente de ter resposta. Para transformar o volume de ocorrências em instrumento de gestão, o Smart Mobi calcula diariamente o Street Risk Score — um índice de risco de 0 a 100 para cada rua da cidade, atualizado automaticamente todo dia nas primeiras horas da manhã, antes do início do expediente municipal.
A fórmula combina quatro dimensões: com que frequência aquela via aparece congestionada nos últimos 30 dias, qual o atraso médio acumulado pelos motoristas, qual a severidade dos eventos e quantos alertas de incidentes foram reportados no trecho. Cada fator tem um peso calibrado para refletir impacto real — frequência vale mais do que um único evento extremo, porque uma rua que trava todo dia é estruturalmente mais crítica para a cidade do que uma que registrou um incidente isolado.
O resultado é um ranking diário das vias mais críticas da cidade, com classificação em cinco níveis — de Baixo a Crítico Extremo — que o gestor consulta diretamente no painel CITEHUB. Não é mais necessário esperar denúncias, cruzar planilhas ou aguardar o relatório mensal da concessionária. O sistema entrega, toda manhã, uma lista ordenada de prioridades baseada no que realmente aconteceu no trânsito de São José dos Campos nas últimas semanas.
Defesa Civil e mobilidade no mesmo painel
O que torna a implantação em São José dos Campos particularmente estratégica é a combinação de fontes que a plataforma já integra no município. Além do Waze, o CITEHUB conecta o sistema da Defesa Civil municipal — o único entre as cidades parceiras da SMARTCITYTEC a ter essa integração ativa — e seis sensores físicos de monitoramento de fluxo viário distribuídos pela cidade.
Isso significa que o gestor municipal pode, no mesmo ambiente, correlacionar um pico de irregularidades de trânsito no Waze com uma ocorrência de alagamento registrada pela Defesa Civil na mesma região e no mesmo horário. Ou identificar que os sensores físicos confirmam o congestionamento que o Waze já havia sinalizado com antecedência. São camadas de dado que, isoladas, dizem pouco. Combinadas, descrevem o que de fato está acontecendo na cidade.
Por que uma cidade industrial precisa disso
O perfil produtivo de São José dos Campos cria padrões de mobilidade diferentes das metrópoles de consumo. Os turnos industriais da Embraer, do ITA e dos centros de pesquisa e desenvolvimento do Parque Tecnológico geram picos de deslocamento previsíveis e concentrados em corredores específicos. Uma análise de distribuição horária das irregularidades de tráfego — disponível na tela Smart Mobi com filtro por dia útil ou fim de semana — revela esses padrões com clareza: há horas do dia em que a cidade sabe que vai travar, e há janelas de baixo tráfego que quase nunca são aproveitadas para operações de manutenção ou mobilidade especial.
Essa previsibilidade é, paradoxalmente, uma vantagem. Quando o padrão de congestionamento é repetível, ele pode ser antecipado. E quando pode ser antecipado, pode ser gerenciado.
Da parceria ao produto
A implantação do Smart Mobi em São José dos Campos é resultado de uma parceria formal entre a SMARTCITYTEC e a Prefeitura Municipal, dentro do projeto CITEHUB — iniciativa da cidade para consolidar uma plataforma integrada de gestão urbana baseada em dados abertos e padrões internacionais de interoperabilidade. A plataforma é construída sobre FIWARE e NGSI-v2, o mesmo padrão técnico que sustenta projetos de cidades inteligentes em dezenas de países e que fundamenta, no Brasil, iniciativas como o Smart Mafra, em Santa Catarina — primeiro município brasileiro com lei municipal de interoperabilidade baseada em FIWARE.
A expansão da vertical de mobilidade para cruzamento com dados de câmeras e rastreamento de transporte público está no roadmap da plataforma para os próximos ciclos. O que está em operação hoje já representa uma mudança de patamar na qualidade da informação disponível para a gestão municipal de trânsito: de zero para 1.412 alertas documentados por semana, de impressão para índice, de reação para critério.
A SMARTCITYTEC é uma GovTech brasileira especializada em plataformas de cidade inteligente baseadas em padrões abertos de interoperabilidade. A Plataforma CITEHUB opera em São José dos Campos em parceria com a Prefeitura Municipal.