Observatório da GRANFPOLIS transforma dados em inteligência para o turismo regional
A construção de uma estratégia integrada para o turismo da Grande Florianópolis ganhou mais uma importante ferramenta de apoio à gestão. Durante a apresentação dos avanços do Plano Regional de Turismo, promovida pela GRANFPOLIS em parceria com o Sebrae/SC, o diretor executivo da Associação, Marius Bagnati, apresentou o Observatório da GRANFPOLIS, desenvolvido sobre a Plataforma de Gestão Urbana da SMARTCITYTEC.
O encontro, realizado no dia 9 de setembro, reuniu gestores municipais de Cultura e Turismo, representantes do trade turístico, entidades e profissionais ligados ao setor. O objetivo é construir uma visão regional capaz de valorizar as características de cada município e, ao mesmo tempo, posicionar a Grande Florianópolis como um território turístico integrado.
Mais do que reunir informações em painéis, o Observatório cria uma estrutura para organizar, integrar, cruzar e transformar dados em inteligência para a tomada de decisão.
Uma visão regional para 22 municípios
O Plano Regional de Turismo envolve os 22 municípios que integram a GRANFPOLIS e busca ampliar a cooperação entre destinos que possuem características bastante diferentes, mas complementares.
Praias, natureza, turismo rural, gastronomia, cultura, patrimônio, eventos, turismo religioso, experiências urbanas e atividades de aventura passam a ser analisados dentro de uma mesma visão territorial.
Essa abordagem permite superar uma das principais dificuldades do planejamento regional: informações relevantes normalmente estão espalhadas entre diferentes planilhas, sistemas, órgãos públicos e bases de dados.
É justamente nesse ponto que atua a Plataforma de Gestão Urbana da SMARTCITYTEC.
Em vez de substituir sistemas existentes, a plataforma cria uma camada de interoperabilidade, permitindo reunir informações de diversas fontes e organizá-las dentro de um ambiente comum de dados.
Quase 200 ativos turísticos já estão sendo estruturados
Um dos trabalhos que começa a ser incorporado ao Observatório é a Matriz de Ativos Territoriais — MAT, desenvolvida no âmbito do Plano Regional de Turismo com apoio técnico do consultor Jorge Dolzan.
A base de trabalho já reúne 187 ativos turísticos distribuídos pelos 22 municípios da região.
Para cada ativo, podem ser estruturadas informações como:
· localização e georreferenciamento;
· segmento turístico principal e segmentos complementares;
· estágio de maturidade comercial;
· condições de visitação;
· existência de estacionamento, banheiros, alimentação e outras infraestruturas;
· presença em sites e redes sociais;
· disponibilidade de imagens para promoção;
· prioridade para divulgação;
· potencial para integrar vitrines, experiências e roteiros regionais.
A estrutura também permite diferenciar atrativos individuais, conjuntos de atrativos, rotas, circuitos, eventos e serviços de apoio.
Com esses dados organizados digitalmente, a região passa a ter condições de acompanhar não apenas onde estão seus atrativos, mas também identificar quais estão preparados para receber visitantes, quais necessitam de investimentos e quais possuem maior potencial para compor novos produtos turísticos.
Dados econômicos ajudam a compreender a cadeia do turismo
Outro diferencial do Observatório é a possibilidade de ir além do inventário de atrativos.
A Plataforma SMARTCITYTEC permite trabalhar informações do Cadastur em conjunto com bases empresariais e econômicas, criando uma visão mais ampla da cadeia turística.
Entre as possibilidades estão indicadores sobre empresas de hospedagem, alimentação, agências de turismo, operadores, organizadores de eventos e outras atividades relacionadas ao setor.
A plataforma já dispõe de estrutura de dados da Receita Federal que permite analisar empresas por município e por atividade econômica. Uma das evoluções previstas é justamente cruzar essas informações com o Cadastur, aumentando a qualidade das informações disponíveis e permitindo identificar, por exemplo, cadastros que possam necessitar de atualização.
O resultado é um Observatório que pode acompanhar simultaneamente o território, seus atrativos e a atividade econômica existente ao redor do turismo.
Dos dados aos “Big Numbers” da Grande Florianópolis
A construção do Observatório também prevê a consolidação de grandes indicadores regionais — os chamados “Big Numbers”.
A proposta é reunir informações relacionadas a território, população, economia, empresas, empregos, infraestrutura turística, fluxo de visitantes, hospedagem, transporte e inventário turístico.
Entre as fontes mapeadas estão bases como IBGE, Receita Federal, Cadastur, dados estaduais de turismo, informações do Floripa Airport e outras bases públicas ou institucionais.
A diferença está justamente na capacidade de relacionar essas informações.
Um dado isolado mostra quantos estabelecimentos existem. Outro informa quantos passageiros chegaram pelo aeroporto. Um terceiro apresenta os atrativos de determinado município.
Quando essas informações passam a compartilhar um mesmo ambiente de dados, novas perguntas podem ser respondidas.
Onde estão concentradas as empresas ligadas ao turismo? Quais municípios apresentam determinados tipos de atrativos? Onde existem ativos com grande potencial, mas ainda baixa maturidade comercial? Como criar roteiros que conectem experiências de diferentes cidades? Quais informações ainda estão faltando para orientar investimentos?
É essa transformação de dados dispersos em inteligência territorial que está no centro do Observatório.
Tecnologia a serviço do planejamento público
A Plataforma de Gestão Urbana da SMARTCITYTEC utiliza conceitos de interoperabilidade e espaços de dados, permitindo que diferentes sistemas continuem funcionando de forma independente, mas compartilhem informações quando necessário.
Esse modelo é especialmente relevante em projetos regionais.
Cada município possui sua própria realidade, seus sistemas e suas prioridades. O objetivo não é centralizar a operação das cidades, mas construir uma infraestrutura comum que permita enxergar o território de maneira integrada.
A SMARTCITYTEC aplica esse conceito em sua plataforma baseada em tecnologias abertas e no ecossistema FIWARE, utilizando interoperabilidade para conectar diferentes fontes e transformar informações em serviços, mapas, indicadores e aplicações para a gestão pública.
No turismo, essa infraestrutura passa a apoiar a integração de dados de estabelecimentos, Cadastur, ativos territoriais e outros indicadores relevantes para a gestão dos destinos.
Observatório passa a apoiar a estratégia regional
A apresentação do Observatório durante o encontro do Plano Regional de Turismo demonstra também a importância crescente dos dados na construção das políticas públicas da Grande Florianópolis.
Enquanto o Sebrae/SC e a GRANFPOLIS avançam na estruturação do Plano Regional de Turismo e da nova Marca Territorial, o Observatório cria condições para que esse planejamento seja acompanhado por informações capazes de evoluir continuamente.
O Plano Regional de Turismo foi concebido para organizar a atividade turística de forma regional, valorizar as características e os atrativos de cada município, ampliar a visibilidade da Grande Florianópolis e contribuir para a geração de oportunidades e receitas nas cidades.
O lançamento oficial do Plano Regional de Turismo da Grande Florianópolis e da Marca Territorial está previsto para novembro de 2026.
Até lá, o trabalho de organização das informações continua avançando.
Para a SMARTCITYTEC, o projeto demonstra na prática um dos principais objetivos de uma Plataforma de Gestão Urbana: conectar informações que antes estavam dispersas e transformá-las em conhecimento compartilhado para que municípios e regiões possam planejar melhor o seu futuro.
No turismo, isso significa conhecer melhor o território, enxergar oportunidades, orientar investimentos e criar condições para que os 22 municípios possam crescer não apenas individualmente, mas como um destino regional integrado.
Links institucionais
GRANFPOLIS: https://granfpolis.org.br/
SMARTCITYTEC: https://smartcity.tec.br/